O tema do TEMPO DE LETRAS que vai ao ar hoje é a reedição da obra de Vinicius de Moraes pela Companhia das Letras. Deixo aqui um poema pouco conhecido, do livro de estréia do poetinha, O caminho para a distância (1933), para abrir o apetite para a noite.
A uma mulher Quando a madrugada entrou eu estendi o meu peito nu sobre o teu peito Estavas trêmula e teu rosto pálido e tuas mãos frias E a angústia do regresso morava já nos teus olhos. Tive piedade do teu destino que era morrer no meu destino Quis afastar por um segundo de ti o fardo da carne Quis beijar-te num vago carinho agradecido. Mas quando meus lábios tocaram teus lábios Eu compreendi que a morte já estava no teu corpo E que era preciso fugir para não perder o único instante Em que foste realmente a ausência de sofrimento Em que realmente foste a serenidade.
A Estação das Letras, espaço para cursos e oficinas de literatura dirigido por Suzana Vargas, comemora 12 anos abrindo uma livraria. Além de livros raros e esgotados, a Literárea terá também eventos na área. A curadoria é de Lílian Dias. A festa de inauguração da loja será neste sábado às 16h, com leitura de poemas por Salgado Maranhão, Carlito Azevedo e o grupo Kill Bill de poesia, lançamento do livro Claricidade – A cidade segundo Clarice, de Bia Albernaz, e roda de choro com o grupo Choro na Praça. Entre os cursos que serão oferecidos ainda este mês está A arte de ilustrar livros para crianças e jovens, com Rui de Oliveira. O endereço é Rua Marquês de Abrantes, 177, lojas 107 e 108, Flamengo, Rio de Janeiro.
Foram divulgados os dez finalistas do Prêmio Portugal Telecom de Literatura 2008, que estimula o intercâmbio entre países de língua portuguesa. No dia 29 de outubro, serão conhecidos os vencedores. O primeiro colocado vai levar R$ 100 mil, o segundo, R$ 35 mil e o terceiro, R$ 15 mil. Foram inscritos 398 títulos, dos quais o júri inicial selecionou 51. Os finalistas são: Do Brasil: 20 poemas para o seu walkman (CosacNaify/7 Letras), de Marília Garcia Antonio (Editora 34), de Beatriz Bracher Histórias da literatura e cegueira (Record), de Julián Fuks Laranja seleta (Língua Geral), de Nicolas Behr O amor não tem bons sentimentos (Iluminuras), de Raimundo Carreiro O filho eterno (Record), de Cristovão Tezza O sol se põe em São Paulo (Companhia das Letras), de Bernardo Carvalho Tarde (Companhia das Letras), de Paulo Henriques Britto De Portugal: Eu hei-de amar uma pedra (Objetiva), de António Lobo Antunes De Angola: Os da minha rua (Língua Geral), de Ondjaki
O escritor Paulo Coelho foi convidado para a conferência de imprensa que marca a abertura oficial da Feira do Livro de Frankfurt 2008, no dia 14/10. O brasileiro vai falar sobre o projeto A Bruxa Experimental e sobre suas experiências com a internet.
Os usuários do metrô do Rio vão poder ouvir na próxima semana trechos de Vidas secas (Record), clássico de Graciliano Ramos, que completa 70 anos. Na terça-feira, a obra será lida pelos atores Mel Lisboa e Rafael de Almeida. Na quarta, será a vez do ator Antonio Calloni e da poeta Elisa Lucinda. Na estação Central do metrô do Rio, às 13h.
Ainda dá tempo de participar do Prêmio Sesc de Literatura 2008. As inscrições forram prorrogadas até o dia 15/09. A iniciativa visa revelar novos talentos da literatura nacional nos gêneros romance e contos, que têm suas obras publicadas pela editora Record. No ano passado, 422 escritores se inscreveram para o prêmio, que contemplou os paulistas Sergio Guimarães, autor do romance Zé, Mizé, camarada André: Notícia de Angola, e Mauricio Fiorito de Almeida, que assina a coletânea de contos Beijando dentes. O edital deste ano está disponível no site http://www.sesc.com.br
A Editora Civilização Brasileira está lançando edições especiais de dois livros de contos do argentino Julio Cortázar, nunca publicados no Brasil. O último round e A volta ao dia em 80 mundos foram cuidadosamente editados nos moldes do original do autor. Os livros chegam às livrarias nesta sexta-feira.
O escritor carioca Antônio Dutra lança amanhã às 18h30 seu romance de estréia, Dias de Faulkner (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo), na Mediateca da Maison de France (Avenida Presidente Antônio Carlos, 58/11º andar, no Rio de Janeiro). O romance, que foi um dos temas do TEMPO DE LETRAS na rádio CBN na semana passada, venceu o prestigiado prêmio francês Meet 2008, criado por Patrick Deville. Além de ter o livro publicado no Brasil e na França, Dutra fará uma residência de dois meses na Maison des Écrivains Étrangers et Traducteurs, em Saint Nazaire. O lançamento no Rio terá a presença de Deville, que veio ao Brasil para a Bienal do Livro de São Paulo. O livro narra a estada de William Faulker no Brasil nos anos 50, para um evento literário.
Os organizadores da Bienal Internacional do Livro de São Paulo esperam que 800 mil pessoas passem pelo Anhembi até o próximo domingo. Mas até anteontem, foram contabilizados 296 mil visitantes. Será que a previsão se concretiza após 11 dias? Vamos torcer. Pesquisa realizada no primeiro fim de semana aponta que 67,4% dos visitantes participaram de alguma atividade cultural na Bienal. Ao mesmo tempo, estas atividades foram avaliadas positivamente, sendo que a maior nota foi dada ao espaço infanto-juvenil Ler é a Minha Praia: nota 9,82 numa escala de 0 a 10. A avaliação positiva da Bienal do Livro como um todo ficou em 94,4%.
A adaptação da novela juvenil Coraline, do quadrinista Neil Gaiman, estréia nos cinemas americanos no dia 6 de fevereiro de 2009. Na animação, a jovem atriz Dakota Fanning, de Guerra dos mundos, empresta sua voz à protagonista, e Teri Hatcher, do seriado Desperate housewives, à mãe da personagem-título. O filme tem direção de Henry Selick.
O Grupo Ediouro não está vendendo livros em seu estande aqui na Bienal de São Paulo, só está expondo os títulos. As promotoras indicam a livraria Saraiva, logo em frente, para a compra. Elas mesmas não sabem o motivo - acreditam que seja uma experiência da editora. Mas admitem que muita gente desiste de adquirir os volumes diante da fila da Saraiva.
As crianças invadiram a Bienal do Livro de São Paulo. São muitas pelos corredores do Anhembi, numa gritaria só. Nesta vigésima edição, elas contam com um espaço exclusivo com 2 mil m2, com vários eventos. É a primeira vez que a Bienal de São Paulo organiza visitação escolar exclusiva. Foram inscritas 874 escolas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Uma média de 18 mil alunos por dia pelos corredores do pavilhão. Dá para imaginar...
De olho nas mudanças da nossa língua, a editora Contexto está lançando na Bienal do Livro de São Paulo O novo acordo ortográfico da língua portuguesa, de Maurício Silva, doutor em Letras pela USP. O livro explica por tópicos todas as mudanças que vão mexer com o nosso dia-a-dia. Além de discutir as alterações, traz as regras e detalha tudo na prática.
O escritor Lourenço Mutarelli fala hoje no TEMPO DE LETRAS, que vai ao ar pela CBN, sobre seu novo livro. Mal chegou às livrarias, A arte de produzir efeito sem causa (Companhia das Letras) já foi vendido para o cinema. E deve contar com ele em seu elenco. Após uma participação especial em O cheiro do ralo, Mutarelli foi protagonista de O natimorto, outra adaptação de um livro seu. Mas a carreira do escritor-ator não começou aí. Ouça o que ele me contou:
A Fnac está lançando um prêmio de estímulo a estudantes nas áreas de literatura, artes visuais e música. A idéia é que o Prêmio Fnac Novos Talentos seja voltado a uma área cultural diferente a cada ano. Nesta primeira edição, será dedicado aos quadrinhos, com o tema Infinita diversidade em infinitas combinações, homenagem à série Jornada nas estrelas. O júri é composto pelo cartunista Angeli, pelo pintor e cartunista Zélio e pela cantora Fernanda Takai. Os três primeiros colocados terão suas histórias publicadas, vão receber prêmio em dinheiro e produtos de informática. Os participantes têm que ter pelo menos 16 anos de idade. As inscrições podem ser feitas até o dia 30/08 no endereço http://www.fnac.com.br
Dois dos convidados da Bienal do Livro de São Paulo participam de um debate na próxima quarta-feira, às 20h, no Rio, na Livraria DaConde (Rua Conde de Bernadote, 26, loja 125, Leblon). Guillermo Arriaga lança Esquadrão guilhotina (Gryphus) e Diego Bracco, Maria de Sanabria (Record). A partir do tema Semelhanças e contrastes entre a literatura brasileira e a latino-americana, os escritores falarão sobre suas respectivas experiências literárias e como vêem a inserção do Brasil, um continente de língua portuguesa cercado por hermanos de língua espanhola, nesta tradição.
Durante a abertura da Bienal do Livro de São Paulo, ontem, a presidente da Câmara Brasileira do Livro, Rosely Boschini, em nome de outras entidades ligadas ao setor, entregou ao ministro interino da Cultura, Juca Ferreira, um manifesto em que solicita a recriação da Secretaria Nacional do Livro, extinta em 2003, deixando o mercado editorial brasileiro sem um órgão específico no poder público para endereçar suas demandas. Segue a íntegra do manifesto:
MANIFESTO AO MINISTRO DA CULTURA PELA RECRIAÇÃO DA SECRETARIA NACIONAL DO LIVRO
Nos últimos anos, notadamente a partir da criação do Plano Nacional do Livro e Leitura em 2006 pelos Ministérios da Cultura e o da Educação, o governo federal tem tomado medidas exemplares e efetivas para o desenvolvimento do livro e da leitura em nosso país. Da desoneração fiscal em 2004 às campanhas do Ano Ibero-americano da Leitura – VIVALEITURA, que deflagraram o ciclo que estamos vivendo hoje, medidas se somaram como o Programa Mais Cultura do MinC e o PDE do MEC. No âmbito desses programas abrangentes de ambos os ministérios o setor do livro e da leitura estão fortemente contemplados, animando a todos que lutam há muitos anos para a transformação do Brasil num país de leitores. Entre todas essas iniciativas, talvez as mais significativas estejam ocorrendo no âmbito do Ministério da Cultura e seu ambicioso e mais do que oportuno projeto de modernização de bibliotecas, de suprir todo município com pelo menos uma biblioteca pública, de criar milhares de pontos de leitura, de mudar o conceito da acessibilidade e programar a imprescindível mediação da leitura para a conquista de novos leitores. Nós, profissionais da escrita, da edição e das livrarias, em seus vários segmentos abaixo-assinados, estamos juntos e apoiamos fortemente esse conjunto de iniciativas governamentais. No entanto, Senhor Ministro Interino da Cultura Juca Ferreira, há ainda tarefas fundamentais que precisam ser cumpridas pelo Estado e por este governo e, entre as sugestões já entregues ao MinC, tornamos público uma preocupação cada vez crescente e cuja solução recomendamos fortemente à Vossa Excelência. Desmontado no governo Collor, o Instituto Nacional do Livro foi posteriormente substituído pela Secretaria Nacional do Livro, esta última também extinta em 2003 pelo MinC. Perderam o livro e a leitura a sua centralidade e visibilidade no centro do poder político do país e hoje, retomada a decisão política de fomentar o setor com objetivo maior da democratização do acesso à leitura, é hora de reforçar a musculatura política, a organicidade administrativa, a capacidade gerencial e operativa deste setor fundamental para a construção da cidadania, exemplo de transversalidade entre todas as formas de expressões culturais e artísticas. É HORA DE RECRIAR A SECRETARIA NACIONAL DO LIVRO!!! 20ª. Bienal Internacional do Livro de São Paulo, 14 de agosto de 2008
A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo abriu ontem três editais do Programa de Ação Cultural de 2008 voltados para literatura. O edital 13 visa a seleção de projetos de Promoção da Literatura em Outras Mídias para apoio cultural. Serão escolhidos três projetos com prêmio de R$ 65 mil cada, que devem utilizar uma ou mais mídias de áudio ou audiovisual, como rádio, televisão, internet e celular. Outro edital, de número 14, é o Concurso de Apoio a Projetos de Difusão da Literatura, que vai contemplar cinco projetos exclusivamente no estado de São Paulo. O prêmio é de R$ 60 mil cada e os projetos devem contemplar atividades de oficinas literárias, cursos sobre literatura, contação de histórias e palestras. Somente poderão habilitar-se para estes dois editais pessoas jurídicas sediadas no estado de São Paulo há mais de dois anos. Já o edital 15 dará apoio a Projetos de Publicação de Livros, selecionando até 42 projetos, sendo 30 para publicação de obras literárias em prosa ou poesia, e 12 para publicações de livros de arte ou coleções, todos inéditos. Podem concorrer pessoas físicas residentes no estado de São Paulo há mais de dois anos. Cada proponente poderá inscrever até dois projetos em cada edital. As inscrições foram abertas ontem e vão até o dia 29 de setembro. Outras informações no site http://www.cultura.sp.gov.br
A Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915 - Vila Madalena - São Paulo) será palco amanhã e quarta do 1º Miniciclo Cosac Naify de Jornalismo, um bate-papo sobre jornalismo e literatura. Os convidados do primeiro dia, com o tema Os outros na vida - a reportagem, são a escritora Vanessa Barbara, que lançou pela editora o livro-reportagem O livro amarelo do terminal, sobre a rodoviária do Tietê, o documentarista e editor da revista Piauí João Moreira Salles e o jornalista Matinas Suzuki Jr. Na quarta, é a vez de Humberto Werneck, autor de O santo sujo - a vida de Jayme Ovalle, também da Cosac Naify, e o escritor Fernando Morais, que lançou recentemente a biografia O mago, sobre Paulo Coelho. O tema é A vida dos outros - a biografia. A mediação será do jornalista e diretor editorial da Cosac Naify, Cassiano Elek Machado. Os bate-papos serão às 19h30, com sessões de autógrafos às 21h. A entrada é franca.
A Academia Brasileira de Letras (Av. Presidente Wilson, 203, Centro, Rio de Janeiro) vai promover a partir deste mês, até novembro, uma mostra de filmes inspirados em livros. A estréia será no dia 20 com O quinze (2007), de Jurandir Oliveira, longa-metragem que adapta o romance de Rachel de Queiroz. Os filmes serão exibidos no Teatro R. Magalhães Jr. e na Sala José de Alencar, sempre às quartas-feiras, às 18h30.
Simone Magno é jornalista e responsável pelo boletim TEMPO DE LETRAS, no ar desde maio de 2007, dentro do programa CBN Noite Total. Cobriu as edições da Flip desde 2006. Vive cercada de livros pelo menos desde os cinco anos de idade, mas pode ser que a paixão tenha começado antes. Publicou um livro de poesia, Avelã pirata, e mantém um blog com minicontos, A lua depois do gravador.